Na próxima 3ª feira, dia 31, acontece a Vigília Feminista pelo Fim da Violência contra as Mulheres, na Estação Central da Lapa, em Salvador, das 17h30 as 19h30. Essa vigília, do mês de julho, será para falar sobre a situação de violência contra a mulher negra em alusão ao dia 25 de julho que é considerado Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha.
Em um país onde negros são a maioria da população brasileira, de acordo com os dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, no qual diz que 96,7 milhões – o equivalente a 50,7% da população -, contra 91 milhões de brancos (47,7%), 2 milhões de amarelos (1,1%) e 817,9 mil indígenas (0,4%). No total somos 190.755.799 milhões de habitantes, mas mesmo a Bahia, local com uma grande porcentagem de habitantes negros, continua sendo um estado onde o racismo e a violência contra a mulher permanecem muito forte.
Salvador está entre as principais capitais com maior índice de agressão contra a mulher. Em números absolutos, a Bahia é o segundo estado no ranking nacional de atendimentos da Central de Atendimento à Mulher (180). Em 2011, foram 53.850 mil chamadas registradas. O líder da lista é São Paulo, com um terço das ligações. Os dados são da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Dados do Mapa da Violência (2010) realizados pelo o Instituto Sangari, a Bahia está entre os oito estados com maior taxa de homicídios femininos registrados, com uma taxa de 5,6 mortes em cada 100 mil mulheres, o que representa um total 399 homicídios registrados.
No início do mês, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), destinada a investigar a violência contra a mulher no Brasil, esteve em Salvador e apurou a precariedade da estrutura de atendimento, que se traduz em falta de delegacias, de pessoal qualificado e de varas especializadas, como a principal causa dos altos índices de assassinatos de mulheres. Apesar dos avanços em legislação e políticas públicas, o país não tem conseguido oferecer proteção efetiva à mulher.
No mês da mulher negra vamos denunciar essa violência na Estação da Lapa para que todas possam incidir sobre as políticas públicas locais alterando o cenário secular de violações e de falta de acesso. Afirmando uma vida sem violência como um direito de todas as mulheres negras na Bahia.
25 de julho: A data surgiu durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em 1992, em Santo Domingos, República Dominicana e serve para mostrar quem são essas mulheres negras e como vivem na América e no Caribe.
Dados Importantes: A maior parte das denunciantes tem entre 20 e 40 anos e convive com o agressor por dez anos ou mais. Além disso, 74% dos crimes são cometidos por homens com quem a vítimas possuem vínculos afetivos e/ou sexuais. E com o agravante de 66% dos filhos presenciarem a violência, ou, ainda, de 20% sofrerem violência junto com a mãe.
