Medida foi tomada em meio à crise financeira vivida pela universidade.
Neste ano, greve na instituição que durou quatro meses.

O reitor na Universidade de São Paulo (USP), Marco Antonio Zago, anunciou nesta quarta-feira (29) que passará a divulgar os valores dos salários de funcionários e professores. A medida foi tomada em meio à crise financeira vivida pela instituição. Neste ano, USP viveu sua greve mais longa em dez anos. A paralisação durou quatro meses.

Zago acredita que houve falhas no planejamento tenham levado a USP à situação atual. Ele afirma que os valores pagos aos professores e funcionários serão publicados para que seja possível a verificação se eles estão de acordo com o mercado de trabalho. No entanto, o reitor não informou onde e como essas informações serão divulgadas.

“Nós talvez tenhamos planejado mal, não estávamos alerta para as dificuldades que poderiam resultar desta falta de planejamento. A USP vai publicar todos os salários e aí todos os órgãos de comunicação e diferentes entidades da sociedade poderão consultar e constatar se estão equivalentes aos salários do mercado ou não”, afirma.

A USP recebe 5% do que o Estado arrecada com o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e tem autonomia para destinar o dinheiro ao que achar melhor. Atualmente, todo o valor tem sido utilizado para pagar os salários e a instituição vem utilizando o dinheiro de uma poupança de emergência para as outras despesas. A reserva, no entanto, deve terminar em 2016, caso a universidade não se recupere.

Segundo dados levantados pelo SPTV, a universidade possui 17.554 funcionários e 6.074 professores. Os funcionários no topo da carreira ganham em torno de R$ 10 mil, enquanto os que possuem apenas ensino fundamental recebem R$ 3.500, o que chega a ser mais do que o salário alguns professores em início de carreira. Docentes no topo da carreira recebem aproximadamente R$ 15 mil.

O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) disse que só os funcionários que têm qualificação e mais de 20 anos de carreira ganham mais.

Greve
A greve de docentes e funcionários da universidade começou em 27 de maio e foi a mais longa dos últimos dez anos. As três categorias da instituição reivindicavam a derrubada do congelamento de salários proposto pelos reitores da USP, da Unesp e da Unicamp, que negociaram com os sindicatos por meio do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) realizou quatro reuniões e uma audiência para solucionar o impasse. No dia 17 de setembro, um acordo definiu como seria a reposição dos 114 dias de greve e o pagamento do vale-refeição. Os funcionários se comprometeram a fazer uma hora extra por jornada, durante 70 dias. Em reuniões anteriores, a Justiça já havia decidido pelo reajuste salarial de 5,20% e pagamento de 28% de bônus.

Pela proposta acordada entre os sindicatos e os reitores, o aumento salarial será concedido em duas parcelas: de 2,57% na folha de setembro, a ser paga em outubro; e a outra, do mesmo percentual, na folha de dezembro, a ser paga em janeiro de 2015, totalizando os 5,2%. O décimo terceiro salário será pago com reajuste integral.