Cidades da América Latina e do Caribe estão enfrentando impactos cada vez mais severos do calor urbano extremo, com consequências diretas para a saúde, a economia e as condições de trabalho. Em apenas duas décadas, as mortes relacionadas ao calor aumentaram 140%, afetando de forma desproporcional populações idosas, trabalhadores expostos ao calor urbano e comunidades mais vulneráveis. Projeções indicam que as perdas econômicas associadas ao calor extremo podem ultrapassar 5% do PIB urbano entre 2040 e 2050.
Esses dados integram o relatório “Inabitável: Enfrentando o Calor Urbano Extremo na América Latina e no Caribe”, que analisa como o aumento das temperaturas está transformando a vida urbana na região. O estudo, que conta com a contribuição do Dr. Júlio Chiquetto, professor na Especialização em Ambiente e Sociedade da Flacso Brasil,apresenta estratégias para fortalecer o enfrentamento das cidades frente aos riscos climáticos, com destaque para o uso de infraestrutura verde, o aprimoramento do planejamento urbano, a implementação de sistemas integrados de alerta precoce e o fortalecimento de políticas de saúde pública acessíveis.
“A minha contribuição para esse estudo foi a difícil tarefa de realizar a revisão de literatura que embasou as equipes do relatório para todos os temas. Revisei centenas de documentos – artigos , relatórios, teses – sobre os impactos do calor na região da América Latina e Caribe, buscando as mais novas e robustas evidências científicas. Por exemplo, que já foram encontrados mosquitos Aedes Aegypti no norte da Patagônia, possivelmente como consequência das mudanças climáticas. Outros estudos buscavam compreender como se dão os impactos do calor extremo sobre a saúde mental em localidades de clima tropical, em especial em contextos de violência. Nesse relatório, é possível compreender como os países da região precisam se preparar para as mudanças ambientais globais do mundo contemporâneo, aspectos que contemplamos na nossa Especialização.”, diz Júlio Chiquetto.
O estudo, de iniciativa do Banco Mundial, contou com o apoio do City Resilience Program e Global Facility for Disaster Reduction and Recovery (GFDRR), e já vem subsidiando processos de planejamento urbano e investimentos em várias cidades, como o workshop realizado em Medellín, na Colômbia — referência regional em estratégias de requalificação de espaços públicos verdes, inclusivos e resilientes.
Ao reunir evidências, análises e recomendações, o estudo contribui para o avanço do debate sobre adaptação climática nas cidades e reforça a importância de políticas públicas integradas para enfrentar os desafios do calor extremo em contextos urbanos da América Latina e do Caribe.
Acesse o relatório completo: https://www.worldbank.org/en/region/lac/publication/extreme-heat-report-in-lac
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