Levantamento nacional mapeia violência na faixa etária de 1 a 19 anos, com base em atendimentos do SUS
Em 2011, para cada 100 mil pessoas na faixa de 1 a 19 anos atendidas pelo SUS em Londrina, 32 atendimentos foram por violência física e 21 por violências sexuais. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde e fazem parte do Mapa da Violência 2012: Crianças e Adolescentes no Brasil divulgado, na semana passada pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) e Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (Flacso). Neste levantamento feito com dados ainda preliminares de notificações em 2011, em âmbito nacional foram registrados 39.281 atendimentos nesta faixa etária, que corresponde a 40% do total de 98.115 atendimentos computados pelo Sistema em 2011. No Paraná, foram 2.416 de um total de 5.122.
Os números, no entanto, não representam o total de casos de violências cometidas contra crianças e adolescentes. Conforme ressalva da própria pesquisa, “os quantitativos registrados pelo Sinan representam só a ponta do iceberg das violências cotidianas que efetivamente acontecem. (…) Por baixo desse quantitativo visível, um enorme número de violências cotidianas nunca chega à luz pública”. Prova disso é que os números apresentados pela assistência social – Creas 3 e 4 – do Município são bem mais expressivos. De acordo com Daniela Tristão, psicóloga e coordenadora do órgão, estão em acompanhamento 1.200 crianças e adolescentes. Por mês, são denunciados em média 70 novos casos. Ainda assim, segundo Daniela, para cada caso denunciado há nove que não são.
Desafios
Um dos grandes desafios para mudar essa realidade, de acordo com a psicóloga, é justamente incrementar a busca ativa dos casos que não chegam até o Creas por meio de denúncias. “Fazemos capacitação de profissionais das escolas para identificar crianças que podem estar sofrendo algum tipo de violência”, exemplifica Daniela. Esse trabalho de acordo com ela já é realizado, mas poderia ser potencializado com ampliação da equipe. A coordenadora do Creas afirma que a equipe é formada por nove psicólogos e nove assistentes sociais, além de técnicos.
Outro grande desafio, segundo Daniela é o trabalho de prevenção da violência que também é efetuado dentro das possibilidades estruturais. “Trabalhamos, por exemplo, com grupos de pais.” Trabalho fundamental, uma vez que a violência cometida contra a criança, na maioria das vezes é cometida por familiares, parentes, pessoas conhecidas da vítima. De acordo com o Mapa da Violência 2012, em âmbito nacional, em 28,5% dos atendimentos no SUS, a violência foi cometida por amigo ou conhecido, especialmente na faixa etária entre 5 e 14 anos.“Em conjunto, o núcleo familiar (pai, mãe, padrasto, madrasta, cônjuge, filhos e irmãos) representa 26,5% dos prováveis agressores das crianças e adolescentes”, revela a pesquisa.
Daniela Tristão diz que nos casos de abuso sexual a incidência maior é de agressor homem. Já nos outros tipos de violência, homens e mulheres se equiparam.
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