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Roubos a residência aumentam 34% na Capital399 casos foram registrados de janeiro a abril deste ano em Fortaleza. O mesmo período do ano passado teve 297 ocorrências. Especialista fala em crescimento descontrolado da cidade, enquanto Polícia silencia. Em algumas situações, vítima pode precisar de acompanhamento.

Entretida com o dramalhão da novela, a garota nem percebeu a movimentação no cômodo ao lado. A vilã da telinha estava prestes a ser presa; a de dentro de casa, na iminência de escapulir. Foi preciso chegar o intervalo comercial para a jovem buscar um copo d’água na cozinha e notar, de relance, a silhueta de alguém revirando gavetas. Duas já estavam sobre a cama. Sem nada.

A adolescente mexeu no interruptor, constatou a estranha e gritou. Foi o tempo de a mulher catar a sacola com o apurado e saltar janela e muro para sumir nas ruas do Henrique Jorge. “Ela levou joias e dinheiro”, resume a moradora do bairro com o sexto maior índice de roubos a residência em Fortaleza no primeiro quadrimestre de 2012.

Foram 11 casos, segundo relatório produzido pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) do Ceará exclusivamente para O POVO. (Confira o ranking das localidades mais afetadas na página 9)

Fortaleza teve 34% mais ocorrências do tipo de janeiro a abril deste ano (399 casos) do que no mesmo período do ano passado (297). A média, este ano, é de 3,2 casas atacadas diariamente contra 2,4 do primeiro quadrimestre de 2011.

No Ceará todo, a variação foi de 23% a mais de um período para o outro. Saiu de 436 roubos de janeiro a abril do ano passado para 537 no quadrimestre deste ano.

A Capital concentra 74% dos casos em 2012. Eles estão espalhados por 89 bairros (74% dos 119 oficiais considerados pela Prefeitura). Se analisadas as estatísticas dos demais 14 municípios da Região Metropolitana, o total salta para 91%.

O inchaço na estatística da Capital de um ano para o outro é reflexo do crescimento acelerado da cidade. “Vamos ter (ocorrências) em áreas de maior concentração de renda (zona Leste) e também onde a classe média cresce (zona Oeste). A população reage morando de forma condominial ou construindo muros altos. Mas muro alto é garantia de insegurança e de reforço ao anonimato e à impessoalidade”, diz o especialista em geografia urbana, professor José Borzacchiello da Silva.

Segundo ele, a verticalização de residências por aqui iniciou na década de 1990 e acentuou-se nos anos 2000 – justo quando os índices de criminalidade começaram a recrudescer em todo o País. “Você mora num condomínio de 20 andares e não conhece quem mora ao lado. Isso faz com que tudo de estranho aterrorize as pessoas. É uma característica da modernidade. E a tendência é agravar”.

Membro do Observatório das Metrópoles, Borzacchiello avalia os avanços tecnológicos dos últimos anos no setor de segurança patrimonial como outro agravante. “Eles conduzem o cidadão ao isolamento. Estamos vivendo um forte processo de desvalorização da rua como espaço de animação. Isso é um perigo”, complementa.

O POVO tentou ouvir representantes da SSPDS durante 12 dias. Contatos telefônicos foram feitos e e-mails foram enviados às assessorias da pasta e da Polícia Militar. Fontes até chegaram a ser indicadas, mas preferiram não comentar os dados fornecidos pela própria secretaria nem dar dicas de segurança aos leitores.

ENTENDA A NOTÍCIA

Medidas específicas por bairro precisam ser implementadas em parceria com as comunidades para os índices recuarem. Estudos bairro a bairro já foram feitos em Fortaleza e podem servir de base para o Governo, constitucionalmente responsável pela segurança pública.

Serviço

Núcleo de Transtornos Ansiosos (Nuta)

Onde: Hospital de Saúde Mental de Messejana (rua Vicente Nobre Macêdo, s/n).

Funcionamento: toda terça-feira, de 13h às 18h. Somente com encaminhamento de outra unidade.

Telefone: 3101 4348

Saiba mais

No último dia 11, O POVO Online mostrou que a região Jangurussu/Conjunto Palmeiras é a que mais contabiliza assassinatos em Fortaleza neste ano. Foram 50 de janeiro a junho, segundo relatório da SSPDS.

A Barra do Ceará registrou 38 ocorrências e ocupa o segundo lugar do ranking, composto ainda por Messejana (25), Mondubim (23) e Pirambu (22).

 

No primeiro semestre de 2012, 770 pessoas foram assassinadas

somente em Fortaleza. Média de seis por dia.

Em 6 de junho, O POVO publicou pesquisa da Universidade de São Paulo que indica 57% dos fortalezenses favoráveis à pena de morte (o maior índice do País).

O mesmo estudo reflete o medo de andar na rua de fortalezenses maior do que o de paulistanos e cariocas.

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