A possibilidade de falta de água nos colégios públicos no início do ano letivo, na semana que vem, preocupa alunos, pais e equipes escolares.

Na segunda-feira (2), começam as atividades na rede estadual, que tem 4 milhões de alunos. As escolas municipais, com 1 milhão, voltam a funcionar na quarta (4).

Os colégios municipais têm recebido texto denominado “ordem interna”, do prefeito Fernando Haddad (PT), que determina a redução de 20% do consumo de água.

O texto não deixa claro como deve ser feito o corte e não cita se haverá punição a gestores de colégios que não chegarem à meta de economia.

A Secretaria Municipal de Educação diz que um grupo de trabalho foi criado para definir essas questões.

Segundo o presidente do Sinesp (sindicato dos diretores das escolas municipais), João de Souza, os colégios deverão reduzir a limpeza.

Em janeiro, afirma, as escolas costumam fazer faxinas para receber os alunos, incluindo pátios, quadras e locais com piso de cerâmica. A atividade deve ser cancelada.

Nos meses seguintes, a frequência da limpeza deve ser reduzida. “A escola fica mais suja, mas é um jeito de colaborar neste momento dramático”, afirmou Souza.

Na instrução às escolas, a prefeitura diz que está vedada “a lavagem de calçadas e áreas externas não destinadas a atividades-fim com água da rede pública.”

A norma afirma ainda que gestores devem procurar vazamentos em suas unidades.

ESTADO

A Secretaria Estadual da Educação disse que tomará medidas preventivas contra a crise –como instalação de equipamentos para aumentar o armazenamento de água potável– e manterá campanha de conscientização e modernização dos sistemas hidráulicos, iniciada em 2008.

Ainda segundo a pasta da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), a expectativa é que não falte água nos colégios.

Como segurança, disse a pasta, foi criada uma linha direta entre as escolas e a Sabesp, que deve ser avisada em caso de desabastecimento.

Pais e alunos, porém, mostram preocupação.

Estudante do segundo ano do ensino médio, Kayra Gonçalves, 15, chegou a ser dispensada da escola estadual Plínio Damasco, na Vila Nova Cachoeirinha (zona norte), no ano passado. O motivo foi a falta de água.

A mãe, Regiane Gonçalves, 36, dona de casa, disse que a filha vai levar água de casa. “O jeito também é tentar não ir muito ao banheiro na escola”, afirmou Kayra.

“Como muitos não têm água em casa, pais e alunos ligam para saber se vai ter mesmo aula”, diz diretora de escola estadual na Freguesia do Ó, na zona norte, que não quer ser identificada.

“Não sei o que vamos fazer. Vou começar as orações”, afirmou a diretora. O colégio tem cerca de 800 alunos.

O calendário letivo está mantido, afirmou a Secretaria de Educação.