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Para especialistas, alto índice de homicídios no Estado é explicado pela cultura da violência. Na foto, o adolescente Alailton Ferreira é espancado por populares.

Livia Francez

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado realiza, nesta terça-feira (15), uma audiência pública para debater a violência e a banalização da vida. O tema central do debate devem ser os Mapas da Violência elaborados por entidades como a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Instituto Sangari e a Unesco.  

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador do Mapa da Violência, divulgado pela Flacso é um dos convidados para a audiência pública. O Mapa da Violência 2014 – os Jovens do Brasil coloca o Estado em 2º lugar dentre os mais violentos do País, atrás apenas de Alagoas.  

O Mapa utiliza dados de 2012 para sistematizar a evolução das mortes violentas em uma década. De acordo com o estudo, entre 2002 e 2012, as taxas de homicídios por grupo de 100 mil habitantes pouco caiu, tendo alternado períodos de pequenas quedas no período com altas em outros anos.  

O ano de 2002 registrou taxa de 51,2 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Em 2003, foi de 50,3, caindo para 49,4 e 46,9 em 2004 e 2005. A partir de 2006, até o ano de 2009 a taxa aumentou, só tendo registrado nova queda em 2010 e permanecendo em queda nos anos seguintes, de 2011 e 2012. 

Os anos de aumento acentuado nas taxas de homicídios coincidem com o período do governo Paulo Hartung (2003 a 2010). A média de homicídios no governo Hartung é de 52 mortes por 100 mil. Já considerando os dois primeiros anos de governo Renato Casagrande (2011 e 2012), esta média fica em 47,3, uma queda de 4,7% em relação ao governo peemedebista. 

O alto número de mortes violentas no Estado é atribuído por especialista à cultura da violência e à banalização da vida. Um exemplo emblemático desta banalização foi o linchamento do adolescente Alaiton Ferreira, de 17 anos, ocorrido em 3 de abril deste ano, em Vista da Serra II, na Serra, por um grupo de moradores que o acusaram de tentar roubar uma moto e estuprar uma criança. No entanto, nada disso havia ocorrido.  

Depois de ser linchado, Alailton foi socorrido para o hospital Jayme Santos Neves onde morreu três dias após dar entrada.