Francisco Celso Rodrigues dos Santos tem 11 anos e até três semanas atrás desconhecia o que o fazia ter convulsões e dificuldades de aprendizagem. Celso é aluno da escola Professor José Sobreira de Amorim, no Jóquei Clube, desde o Jardim 1. Nunca tinha conseguido um diagnóstico sobre si, conta Claudênia Maria da Silva, 47, mãe do garoto. 

 O laudo de deficiência intelectual só foi obtido no Dia do Diagnóstico, mutirão promovido pela Secretaria Municipal da Educação (SME), em 14 de setembro.

Com isso, Celso passou a ter acesso a alguns direitos, ingressou na estatística – que indica serem 2.763 os alunos com deficiência matriculados na rede municipal de Fortaleza – e continuou convivendo diariamente com os colegas sem deficiência. Porque a inclusão nas escolas regulares não é impedida por falta de laudos. Muito menos o acesso à atenção especializada.

Celso e outros 22 alunos com deficiência da escola têm acompanhamento regular de Ricarda Ávila, professora da sala de recurso multifuncional da unidade – onde acontece o Atendimento Educacional Especializado (AEE) no turno contrário ao das aulas. Além deles, ela atende alunos com dificuldades de aprendizagem e orienta profissionais da escola na promoção da inclusão educacional. “Sou uma articuladora da inclusão”, define. Salas como a da unidade existem em 121 escolas das 284 da rede municipal. Mas apenas 77 funcionam. Faltam professoras para as demais. “Elas saíram agora quando houve a seleção para gestores e muitas delas fizeram para assumir cargo de diretor de escola. As salas estão fechadas, infelizmente”, lamenta a gerente da Célula de Educação Especial da SME, Sueli Farias.

Quem era atendido nessas salas foi encaminhado para o AEE em uma das oito instituições parceiras do Município. “A gente precisa fazer um novo credenciamento pra poder lotar pessoas nessas salas. Pretendemos para 2014 deixar todas em funcionamento”, diz a gestora.

Na rede, 80 alunos são acompanhados pessoalmente por um profissional em sala de aula. São crianças e adolescentes com deficiência que necessitam de apoio para as atividades. “O aluno com deficiência intelectual, que consegue se alimentar só, ir ao banheiro só, não tem necessidade de profissional acompanhando. A gente tem (acompanhante) para os casos necessários”, explica Sueli. Não há intérpretes ou tradutores de Libras para surdos na rede.

Segundo Sueli Farias, está sendo feito um levantamento para identificar quem está em idade escolar, recebe o Benefício da Prestação Continuada (concedido pelo Governo Federal a pessoas com deficiência) e não está matriculado. A SME não possui estimativas de quantas seriam essas crianças e esses adolescentes.

 Saiba mais

Alunos da rede municipal com deficiência:

Deficiência intelectual: 1.587

Deficiência física: 289

Transtorno global do desenvolvimento (TGD) – autismo: 195

Deficiência múltipla: 191

Deficiência auditiva: 143

Deficiência visual – baixa visão: 108

Deficiência física – paralisia cerebral: 69

Surdez: 63

Deficiência visual – cegueira: 39

Transtorno desintegrativo da infância: 34

Deficiência física – cadeirante: 15

Altas habilidades/ superdotação: 9

TGD – Síndrome de 

Asperger: 9

TGD – Síndrome de Rett: 5

Surdocegueira: 4

TGD – Síndrome de Williams: 3

Total: 2.763

 FONTE: Secretaria Municipal da Educação (SME)