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A falta de mão de obra qualificada em setores estratégicos e a dificuldade de atrair os mais jovens para o mercado de trabalho são alguns dos principais desafios enfrentados por países sul- americanos como Chile, Uruguai e Argentina. As similaridades com o Brasil e o que é possível aprender com a experiência dos membros e associado do Mercosul foram tema esta semana de um fórum no 39° Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (Conarh), em São Paulo, com a participação dos presidentes de organizações de profissionais de recursos humanos.

Todos esses países apresentaram, nos últimos anos, crescimento econômico que esbarrou na pouca oferta de profissionais, que não foram formados com a mesma velocidade da demanda das empresas. No Uruguai, onde a taxa de desemprego é de cerca de 6%, a maior procura é por profissionais das áreas de engenharia, tecnologia, construção civil e atendimento ao cliente. No Chile, também faltam engenheiros e técnicos, além de trabalhadores para a área de mineração, que recebeu investimentos pesados.

Na Argentina, que na última década precisou se recuperar de uma recessão, a economia se voltou para a exportação de commodities como trigo e soja. Desse modo, setores que hoje apresentam crescimento, como hotelaria, serviços e construção civil, não formaram profissionais suficientes para atender as demandas atuais. “A mão de obra desviou para outros segmentos”, diz Raul Massarini, presidente da Asociación de Recursos Humanos de la Argentina (ADRHA). “Em alguns casos foi preciso trazer aposentados de volta ao mercado ou importar profissionais de países como o Brasil”.

Parte da solução veio dos sindicatos, que fizeram parcerias com as empresas para criar escolas profissionalizantes. No caso da construção civil, por exemplo, foram criados mais de 30 centros espalhados pelo país, número significativo, mas ainda insuficiente. Outro problema que afeta a Argentina é a alta rotatividade de executivos e a fuga desses profissionais para o exterior durante a crise, o que obrigou as companhias a acelerarem a formação de seus gerentes médios.

No Chile, o principal desafio é cultural. Para Miguel Ropert, presidente do Circulo Ejecutivo de Recursos Humanos (CERH), o país precisa atuar com força para receber profissionais estrangeiros e atrair mais chilenos para o mercado de trabalho – a participação de mulheres e jovens, por exemplo, é significativamente menor do que em outros países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da qual o Chile é membro. O tema está no centro das discussões entre candidatos na eleição presidencial de novembro deste ano, diz Ropert.

No Uruguai, a aposta é no alinhamento entre centros de formação e o mercado de trabalho. “O objetivo é descentralizar a oferta desses cursos para o interior do país”, diz Vicente Galisteo, presidente da Asociación de Profisionales Uruguayos de Gestión Humana (ADPUGH).

Um desafio que os especialistas consideram comum à região é a atração de mais jovens ao mercado de trabalho – em especial os conhecidos como geração “ni-ni”, que nem trabalham nem estudam. No Brasil, um estudo recente do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), revelou que há 1,5 milhão de jovens entre 19 e 24 anos nessa situação. No Uruguai, a aposta é em um programa que emprega estudantes entre 16 e 20 anos em órgãos e empresas públicas. “Falta mais aproximação entre as universidades e o mercado”, diz Galisteo.

Para Ropert, do Chile, os desafios de encontrar profissionais com as habilidades comportamentais certas, especialmente na nova geração, ultrapassa fronteiras. “Existe uma responsabilidade dos departamentos de RH de motivar esses jovens, pois quando eles estão motivados do jeito certo, trabalham melhor do que ninguém”, diz.

Os “ni-ni” argentinos são uma preocupação especial de Massarini, que diz que os anos de recessão fizeram com que o país perdesse a cultura do trabalho e o respeito pelas autoridades. “A geração que entra no mundo corporativo hoje não viu seus pais empregados e essa tradição do valor do trabalho se perdeu na família, o que é gravíssimo”, diz.

Massarini também defende que os países do Mercosul, por enfrentarem problemas parecidos quando o assunto é necessidade de mão de obra, deveriam buscar acordos de cooperação para formar profissionais com habilidades complementares e proporcionar um maior intercâmbio entre as nações. “Todos os países estão gastando energia para capacitar profissionais. Talvez fosse mais fácil abordar essa questão juntos”, diz.