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Pronunciada pelo professor Gaudêncio Frigotto (UERJ), essa foi uma das falas da animada sessão “Movimentos sociais e o direito à educação na América Latina”, promovida pelo Clacso (Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais), pela Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais) e pela Anped (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação), na noite da segunda-feira, 22/10, durante a 35ª reunião anual da Associação. A mesa foi mediada por Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. 

O professor da Universidade de Artes e Ciências Sociais do Chile, Emílio Gautier, falou sobre o atual movimento estudantil chileno, que enfrenta um conceito de qualidade em vigor no país desde a ditadura militar, que é utilitarista e individualista, advindo da teoria do capital humano, no sentido de que a educação tem que ser mensurável e seus resultados tem que ser maximizados em relação ao investimento feito, entre outros aspectos. 

Uma característica peculiar do movimento é que ele propõe uma ruptura com a estética revolucionária dos anos sessenta. “Um exemplo é que eles dançam coreografias de Michael Jackson nos protestos, numa clara demonstração de diálogo com a cultura de massa, o que era impensável no passado”, analisa. Emílio denomina o movimento de vicário, no sentido de que os adultos se sentem por ele representados. Ao mesmo tempo, o movimento expõe um forte conflito de autoridade entre professores e alunos. O pesquisador ainda atribui ao movimento uma produção cultural que ocupa o espaço público e recusa a marginalidade. 

A professora Myriam Feldfeber, da Universidade de Buenos Aires, destacou que, enquanto o neoliberalismo tenta opor os valores da liberdade e da igualdade, os movimentos sociais exigem o reconhecimento das diferenças, a distribuição da igualdade (por meio do acesso aos direitos) e a garantia da participação. Assim, em sua opinião, estão forjando novas formas de fazer política e de exercer a democracia. Ela citou o caso da Argentina, em que recentemente se aprovou na legislação a figura da educação pública de gestão social e cooperativa. 

Outro ponto tratado por Myriam, a partir de perguntas do público, é um novo tipo de polarização surgida com a emergência de governos populares ou democráticos na América Latina. “Ou se está com o governo ou se é contra o governo e qualquer crítica é atribuída à direita”, lamenta, referindo-se à expectativa de adesão automática que os governos esperam de movimentos e organizações sociais. 

Para o professor Gaudêncio Frigotto, que foi um dos educadores homenageados pela Anped com a estatueta Paulo Freire, os movimentos sociais não são, em geral, invenções diabólicas de revolucionários, mas expressões contra a violação de direitos. “Ou contra ‘a violência da métrica de mercadoria que ocupa todos os espaços’, para lembrar Francisco de Oliveira”, ressaltou Frigotto. O intelectual mencionou o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) como um tipo de movimento social que questiona as estruturas vigentes da sociedade quando defende o conceito de soberania alimentar contra a ideia de segurança alimentar, por exemplo. Já o movimento negro, para ele, não chega a questionar as estruturas sociais, mas sua grande contribuição é “politizar temas que foram por séculos abafados pela violência de classe no Brasil”. “Ser contra ou a favor das cotas, na academia, é assinar a ignorância”, declarou. 

A 35ª Reunião Anual da Anped começou no domingo (21/10) e termina amanhã (quarta, 24/10) e reuniu mais de 4 mil pesquisadores da área de educação do Brasil, além de convidados internacionais, em Porto de Galinhas, litoral do município de Ipojuca, em Pernambuco. Desde 2010, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação vem participando do encontro como convidada.