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O Amapá é o 20º colocado no Mapa da violência de 2012 entre as 27 unidades da federação, com um crescimento de + 7,8% homicídios por 100 mil habitantes no decênio de 2000/2010. Os dados constam no “Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil”, divulgado na última quarta-feira (18).

 

Os mesmo dados colocam o Brasil como o 4º país mais violento para crianças e adolescentes no mundo. Estados com piores índices são Bahia (1º com +580%) e Rio Grande do Norte (2º com +388,5%). O índice de assassinatos de crianças e adolescentes, com idades entre 0 e 19 anos, cresceu 346% nos últimos 30 anos no Brasil. Segundo o documento, tal vulnerabilidade coloca o Brasil como o 12º com mais mortes em acidentes de trânsito.

Migração da violência
Nos últimos anos, as estatísticas apontam que a violência migrou dos grandes centros urbanos do Sudeste para as regiões mais pobres do Brasil. Em 2008, o Nordeste passou a liderar o ranking absoluto de homicídios contra jovens no país, superando o Sudeste.

Segundo o levantamento, em 2010 o Nordeste registrou recorde de assassinatos de jovens, com 3.428 casos – 114% a mais que o número de 2000. No mesmo período, o Sudeste viu o número de mortes violentas caírem de 4.880 para 2.487 – queda de 49%. No Norte, o aumento da violência foi ainda mais expressivo, saltando de 437 homicídios, em 2000, para 1.020 dez anos depois – 133% a mais. Nas duas regiões, apenas os Estados de Pernambuco (-13,5%) e Roraima (-55,8%) apresentaram redução de homicídios. Todos os demais Estados apresentaram alta, especialmente a Bahia, onde o número absoluto aumentou em 576% – o maior crescimento do país.

Números
Entre 1980 e 2010, morreram assassinadas 3,1 crianças e adolescentes em cada 100 mil, total que alcançou 13,8 casos por 100 mil em 2010. Também aumentou o total de suicídios (38%) e de acidentes de trânsito (7%). No mesmo período, o total de mortes de jovens por doenças e causas naturais passou de 387 casos em cada 100 mil pessoas para 88,5 por 100 mil, o que representa uma queda de 77%.

Por outro lado, cresceu o total de crianças e de adolescente que morre pelas chamadas causas externas, que incluem homicídios, suicídios, acidentes de trânsito e de outros tipos.

 

 

As vítimas de causas externas, que somavam 27,9 casos por 100 mil habitantes em 1980, alcançaram 31,9 casos por 100 mil em 2010, aumento de 14,3%. Além disso, no mesmo período, 55 jovens morreram diariamente por homicídios, suicídios e acidentes.

Ainda de acordo com o estudo, os Estados de Alagoas e Espírito Santo lideram a taxa de homicídios: foram 34,8 e 33,8 para cada 100 mil, respectivamente, no ano de 2010. Já São Paulo e Piauí são os que melhor protegem suas crianças e adolescentes dos crimes, com taxas de 5,4 e 3,6 por 100 mil.

Bahia e Pará foram os Estados que, comparados com os números do ano 2000, apresentaram maior crescimento da taxa de assassinatos. Em relação a 2010, foi registrado um aumento de 576,7%, na Bahia, e 351,3%, no Pará. Para os jovens, esse aumento ocorreu principalmente por causa do crescimento da venda e uso das motocicletas, que representaram 39% das mortes em acidentes de trânsito, à frente do automóvel (19,3%) e pedestres (12%).

Violência sexual 
O estudo também tentou identificar os atendimentos feitos no Sistema Único de Saúde (SUS) de jovens e adolescentes vítimas de violência física e de abuso sexual. A fatia com maior quantidade de vítimas compreende crianças de 1 a 4 anos. Em 2011, foram atendidas no Brasil vítimas de agressão 6.132 crianças, enquanto 1.607 jovens entre 15 e 19 anos foram parar nos hospitais por causa de violência física.

Um dado que chamou a atenção do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da pesquisa, foram quanto os homicídios de jovens representava no total de mortes. Em 1980, eles eram pouco mais de 11% dos casos de assassinato. Já em 2010, 43%. “Os homicídios de jovens continuam sendo o calcanhar de Aquiles do governo. Esse aumento mostra que criança e adolescente não são prioridade dos governos”, disse.

Entre os Estados em que houve maior aumento dos assassinatos de jovens estão Alagoas, com uma taxa de 34,8 homicídios por 100 mil habitantes, Espírito Santo (33,8) e Bahia (23,8). 

Segundo Waiselfisz, vários fatores influenciam o aumento em determinadas regiões. Um deles é a interiorização dos homicídios. “Antes, a maior parte dos crimes acontecia nos grandes centros. Agora, com a melhor distribuição de renda, houve uma migração da população e os governos não conseguiram implantar políticas públicas para acompanhar essa mudança”, disse.
Para Alba Zaluar, antropóloga da Universidade Estadual do Rio, os dados devem ser analisados com “cuidado”, já que entre 2002 e 2010 houve uma melhora na qualificação das estatísticas sobre mortes. Ou seja, casos que antes constavam como “outras violências” nos dados oficiais passaram a ser homicídios. “É muito complicado falar do aumento de mortes por agressão no Brasil como um todo”, afirmou Zaluar. Waiselfisz diz que a pesquisa aponta que os problemas existem e serve de alerta para governos tentarem reduzir os índices, que já incluiu o assassinato de outros jovens país afora.

 


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