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Muito além do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), não falta à sexta economia do mundo desafios que, por enquanto, estão longe de serem vencidos. Surfando no berço esplêndido que os especialistas chamam de bônus democráfico, governo e sociedade estão, na verdade, correndo o risco de deixar de aproveitar até mesmo essa dádiva do tempo. Em vez de lançar mão do crescimento econômico para construir risonhas perspectivas de educação, emprego e lazer para as crianças e jovens, o que o Brasil tem oferecido a essas reservas de energia e criatividade é uma vida cada vez mais perigosa. É esse o alerta do Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil, estudo coordenado pelo pesquisador Júlio Jacobo Waislfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), com dados até 2010. A primeira e mais chocante constatação é que as crianças e os jovens brasileiros têm hoje mais chances de serem assassinados do que há 30 anos.

Isso coloca o Brasil num vergonhoso quarto lugar entre os piores colocados num levantamento com 91 países. “Perde” apenas para El Salvador, Venezuela e Trinidad Tobago. Na média do país, a taxa de homicídios na população de até 19 anos vem mantendo assustador crescimento nos últimos anos, passando de 3,1 mortes para cada 100 mil pessoas, para 7,7, em 1990, evoluindo para 11,9, em 2000 e fechando em 13,8 em 2010. Nesse ano, a taxa geral de homicídios foi de inaceitáveis 27 pessoas para cada 100 mil, mais de duas vezes o que os especialistas internacionais consideram nível epidêmico em tempo de paz, 10.

Revela o estudo que, em 2010, 8.686 brasileiros com menos de 19 anos foram vítimas de homicídios, o que elevou para a impressionante soma de 176.044 o total de crianças e adolescentes assassinados. Os meninos, conforme o estudo, representam cerca de 90% do total. De todas as mortes violentas de crianças e adolescentes brasileiros em 2010, os homicídios representaram 43,3%; 27,2% foram causados por acidentes nas ruas e estradas e 19,7% por outros acidentes. Somente na faixa dos 18 anos, de cada 100 mil jovens brasileiros, 58,2 morrem assassinados.

Diretamente afeta aos governos estaduais e do Distrito Federal (DF), esse nível de segurança tem registrado poucos avanços. Mesmo nos casos em que se registraram quedas nas taxas entre 2000 e 2010, como no Rio de Janeiro (baixou de 25,9 para 17,2) e no DF (de 23,9 para 22,9), a situação não permite comemorações. O Rio passou da 1ª para a 10ª colocação entre os mais violentos e o DF melhorou da 2ª para a 4ª, posições nada satisfatórias para o nível de desenvolvimento de ambos. Tampouco Minas fica bem na foto na aparentemente confortável 20ª posição, já que isso não esconde que sua taxa de violência mais que dobrou, pulando de 5,2 para 10,7, entre 2000 e 2010.

Não cabe, portanto, perder tempo com discussões de natureza regional ou político-eleitoral, até porque a violência migra com os homens que a praticam. É urgente a concentração de inteligências e de esforços, inclusive da União, para estancar a vergonhosa hemorragia social.

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