Rio –  A recente tragédia num cinema dos Estados Unidos, com 12 mortos e 59 feridos, chocou o mundo. No Brasil, a execução da policial militar na UPP do Complexo do Alemão também ganhou o noticiário. Os dois casos têm em comum não só a violência, mas o uso de armas de fogo, permitida nos EUA e restrita no Brasil. Episódios que demonstram a fragilidade dos governos de todo o planeta em lidar com o assunto.

De um lado, um país no qual um jovem de 24 anos, fruto de sociedade que estimula três em cada dez pessoas a se armar, compra, em loja legalizada, duas pistolas Glock em rifle AR-15, além de seis mil balas pela internet. De outro, supostos bandidos executam uma PM com tiro de fuzil. Mas como, se não comercializamos armas desse porte e fizemos campanha de “desarmamento” para retirar de circulação o maior número de armas e diminuir a violência?

Na verdade, o fato é que o cidadão brasileiro, o mesmo que recebeu uma indenização entre R$ 100 e R$ 300 para entregar sua arma, continuou se armando. O Poder Público subsidiou a indústria bélica, pois pagou por arma velha e permitiu a compra de uma nova, tenha sido ela legalizada ou não.

Segundo dados do Mapa da Violência em 2011, o Brasil está na sexta posição mundial em relação às taxas de homicídio por 100 mil habitantes, com mortes provocadas, majoritariamente, por armas de fogo e que atingem, sobretudo, a população jovem.

Lá existe a ‘cultura de armas’, num país que já presenciou atentados terroristas. Aqui a justificativa é o narcotráfico. Mas o fato é que em ambos os países as armas são apenas instrumentos que trazem arrecadação para o Poder Público e lucros para o comércio clandestino. E no fim, todos se armam em nome da segurança, mas esquecem que a arma que defende é a mesma que mata.