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A Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) está completando 60 anos!

Muitos aprendizados e histórias marcaram a trajetória da Flacso e de quem passou pela instituição. O organismo que nasceu no Brasil em 1957, ano de sua fundação, passou com sua sede por diferentes países. No Brasil, enfrentou
o período da ditadura e ressurgiu com a redemocratização do país. Desde então, realiza projetos de cooperação internacional que apoiam o desenvolvimento e a integração dos países da América Latina e Caribe nos campos da pesquisa, cooperação científica, assistência técnica e docência.

O sistema Flacso foi criado no dia 16 de abril de 1957 pelos Estados latino-americanos a partir de uma resolução da Conferência Geral da Unesco. Atualmente, o organismo possui em sua composição 19 Estados membros: Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Costa Rica, CubaEl Salvador, EquadorEspanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Uruguai.

História

O Início – 1957 e 1968

A história da Flacso no Brasil começa com a fundação da instituição, quando os Estados membros estabeleceram que fossem criadas duas unidades, uma especializada em docência de pós-graduação, a Flacso, com sede em Santiago do Chile, e outra dedicada à pesquisa social comparada, o Centro Latino-Americano de Pesquisas em Ciências Sociais (CLAPCS), no Rio de Janeiro, que na época era a capital do país.

Entre 1957 e 1968, a sede Brasil manteve contato intenso com as instituições e a produção acadêmica do país, principalmente por meio das atividades do CLAPCS e pela presença de professores, pesquisadores e estudantes brasileiros no sistema Flacso, que aumentou com o exílio de cientistas sociais no Chile, a partir de 1964, devido ao golpe civil e militar no Brasil.

Essa estrutura dual existiu por uma década, período em que houve uma ajuda programada da Unesco que financiou integralmente a operação das duas unidades até 1968.

Década de 1970: Projeto Flacso Brasil

Nos anos 1970, com o fim do financiamento da Unesco, o CLAPCS adotou caráter de “instituição nacional com vocação internacional”, até o seu fechamento no final da década.
Ao longo deste período, a presença de acadêmicos e estudantes brasileiros no sistema Flacso foi reduzida. Essa situação foi determinante para a decisão de criar uma unidade da Flacso no país como forma de apoio à reincorporação da contribuição da comunidade de pesquisadores brasileiros ao debate das Ciências Sociais na região, estratégica para a realização dos seus objetivos institucionais.

Década de 1980: de Projeto à Programa

A Flacso começou a ressurgir no Brasil em 1980, desta vez como Projeto. De forma provisória, foi instalada em Belo Horizonte, a convite da PUC-MG, e depois foi para o Rio de Janeiro.

Sua primeira missão foi examinar a viabilidade de se implementar uma unidade da Flacso no país. Foi preciso, então, analisar o sistema universitário brasileiro para identificar centros e atividades que tinham a América Latina como objeto de estudo.

O levantamento revelou que existia apenas um programa de doutorado dedicado à temática regional, na UFMG, desativado pouco tempo depois desse levantamento.  Esse cenário reforçou a necessidade de implantação da Flacso no Brasil que, desde o começo, definiu como eixo a temática “políticas sociais, democratização e participação”.

Em 1984, o Projeto da Flacso Brasil se tornou um Programa e o Conselho Superior da Flacso garantiu o caráter permanente da unidade país. Em 1988, estabeleceu sua sede em Brasília, onde foi criado o primeiro programa de Doutorado da Flacso, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB).

No final da década de 80 houve outro marco importante: a consolidação da relação com o Estado brasileiro, por meio da adesão ao acordo sobre a Flacso.
Também foram estabelecidas relações permanentes com o campo acadêmico, por meio de laços de associação e cooperação, alcançando uma intensa e contínua participação de representantes governamentais e acadêmicos nos organismos de governo da Flacso.

Década de 1990: de Programa à Sede

A Flacso e o Governo brasileiro assinaram convênio em dezembro de 1990 para o funcionamento da Sede Acadêmica no país.

Estudar, de forma comparada e interdisciplinar, os grandes desafios que América Latina e Caribe deveriam enfrentar para um desenvolvimento sustentável e uma integração equilibrada no sistema mundial foi o objetivo do programa de doutorado implementado na década de 1990 em parceria com a UnB.

Professores e estudantes vieram de diversas unidades acadêmicas da Flacso e de outros centros de excelência da região, reforçando seu caráter interinstitucional, interdisciplinar, regional e comparativo. A preocupação central foi a integração latino-americana. As linhas de especialização enfatizaram as relações entre a sociedade civil e o Estado na configuração das políticas públicas.

O programa admitiu quatro turmas (1988, 1990, 1992 e 1994) e foram defendidas e aprovadas 25 teses de doutorado, alcançando um alto índice de finalização para estudos de pós-graduação.

O doutorado obteve nota máxima na avaliação do sistema da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes) do Ministério de Educação, o que permitiu contar com bolsas do sistema Capes/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para financiar a vinda de professores e alunos latino-americanos.

Ao fim desta experiência, o objetivo da “latino-americanização” da oferta de pós-graduação em Ciências Sociais no Brasil foi cumprido, não somente pelo impacto dos produtos do programa, mas também pela continuidade dos estudos comparativos latino-americanos em Brasília, que persistiram sob a responsabilidade exclusiva da UnB, representada pelo Centro de Pesquisa e Pós-graduação sobre América Latina e o Caribe (CEPPAC/UnB).

O intercâmbio entre países também contribuiu para a concepção do “doutorado sanduíche” no Brasil, pois a norma de que as teses do programa tinham que ser estudos comparados sobre pelo menos dois países da região, levou à aceitação do financiamento e à valorização do trabalho dos estudantes em outro país.

A Flacso Sede Acadêmica Brasil

Com sede em Brasília e unidades em São Paulo e no Rio de Janeiro, a Flacso Brasil realiza estudos, pesquisas e formação em diversos temas contando com a participação de especialistas – pesquisadores, gestores, professores, educadores – que transitam com experiência nos campos das Ciências Sociais, Educação, Cultura, Direitos Humanos, Comunicação, Criança e Adolescente, Juventude, Violências, entre outros.

Organizamos nosso trabalho nas seguintes Linhas de Atuação:

  • Globalização, Inovação e Novas Tecnologias
  • Governabilidade e Institucionalidade em Democracia
  • Governança e Políticas Públicas
  • Estado de Direito e Direitos Humanos
  • Desenvolvimento Territorial e Gestão
  • Interculturalidade
  • Economia e Desenvolvimento
  • Educação e Desenvolvimento
  • Atores Sociais, Movimentos Sociais e Cidadania
  • Desigualdades, Pobreza e Exclusão Social
  • Sistemas/organismos internacionais
  • Segurança Cidadã
  • População, Migração e Meio Ambiente

Nossos Projetos, desenvolvidos em parceria com órgãos dos governos municipal, estadual e federal, universidades, organismos internacionais, organizações sociais, fundações, empresas públicas e privadas, estão distribuídos em Programas que estruturam o organograma da entidade. São eles:

  • Programa Comunidades de Pesquisa, Conhecimento Público e Democracia
  • Programa Estudos e Políticas de Cultura e Diversidade
  • Programa Estudos e Políticas sobre a Juventude
  • Programa Estudos sobre a Violência
  • Programa Observatório Latino-americano de Políticas Educacionais – OLPEd
  • Programa Participação, Sociedade Civil e Processos de Mobilização
  • Programa Políticas de Educação Superior

O legado de cada Projeto, além de certa dimensão de patrimônio imaterial, se traduz também em publicações, cursos, eventos, vídeos, todos disponíveis em formato eletrônico para download em nossa página. Nosso desejo é produzir cada vez mais informações qualificadas, contribuir com a construção de saberes e tornar esta página uma referência na busca por conteúdos que informem e sensibilizem as pessoas por um mundo mais justo e humanizado.

Conheça materiais exclusivos em nossa Biblioteca, como o Mapa da Violência, o livro Juventudes na escola, sentidos e buscas: por que frequentam?, o Relatório Avaliativo ECA 25 anos e as publicações do Grupo Estratégico de Análise da Educação Superior no Brasil (GEA).

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