Otavalos e Salasakas outra forma de aprender: análise das possibilidades educacionais de redes sociais e dispositivos eletrônicos para a aprendizagem em comunidades migrantes vulneráveis

O projeto de pesquisa realiza ações junto às comunidades indígenas Otavalo e Salasaka, migrantes internacionais residentes no estado de São Paulo, Brasil.

Projetos de intervenção:

→ Resposta Global da OIM para a pandemia de COVID-19

Financiamento: Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

A Flacso Brasil participou como entidade parceira implementadora do projeto da Organização Internacional para as Migrações (OIM) Resposta Global da OIM para a pandemia de COVID-19, para populações imigrantes e refugiadas no Brasil.

O objetivo do projeto é a transferência de renda, usando o mecanismo de vale- alimentação, com dois valores, para famílias R$ 530,00 e para indivíduos R$ 130,00, como parcelas únicas.

O projeto beneficiou famílias e indivíduos das comunidades indígenas Otavalo e Salasaka do Equador, residentes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Santa Catarina, em situação de vulnerabilidade perante a calamidade mundial da pandemia provocada pela Covid-19.

O projeto é de curta duração. Durante o mês de novembro de 2020 aconteceu a mobilização, 100% via remota, no mês de dezembro houve a distribuição dos vales e em janeiro, o acompanhamento de ocorrências no uso do benefício.

A Flacso Brasil se ampara nos preceitos da Educomunicação para a realização do projeto, assim, o grupo beneficiário faz parte da compreensão, análise e tomada de decisão de participação durante todo o processo; sendo protagonistas das diferentes atividades realizadas, incentivando a postura como sujeitos críticos e reflexivos da sua realidade.

As atividades desenvolvidas foram:

  • mobilização do grupo beneficiário através da rede social Facebook e do aplicativo de mensagens Whatsapp;
  • preparação do formulário digital (tradução para o espanhol e elaboração dos formulários para indivíduos e famílias nessa língua) e envio pelo Facebook e Whatsapp;
  • seleção dos monitores da comunidade para logística de distribuição e entrega dos vales-alimentação;
  • entrega da base de dados à OIM para a elaboração dos vales-alimentação por parte da Sodexo;
  • acompanhamento da recepção, distribuição e sistematização das evidências junto aos monitores da comunidade;
  • acompanhamento de ocorrências no uso dos vales-alimentação.


→ Projeto de intermediação e alocação de doações, no contexto do Programa Cidade Solidária da Prefeitura do Município de São Paulo

Financiamento: A Prefeitura do Município de São Paulo recebe doações de pessoas físicas e jurídicas que são encaminhadas à sede da Cruz Vermelha Brasileira, parceira, onde são preparados os kits para envio às comunidades.

Perante a situação da pandemia mundial pela Covid-19, a Flacso Brasil, como parte das ações da pesquisa destinada às comunidades indígenas Otavalo e Salasaka, migrantes internacionais residentes no Brasil, participa no projeto de intermediação de doação de cestas básicas, destinadas às famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade da Prefeitura do Município de São Paulo.

O projeto é desenvolvido na comunidade, com o acompanhamento da Flacso, assim, se designam três monitoras comunitárias para alocação das doações em dois lugares pertencentes a duas das monitoras escolhidas.

O acompanhamento da Flacso é remoto, tanto para o contato com a prefeitura, quanto com os monitores envolvidos na ação, assim como, com a comunidade. Na comunicação se utilizam as mídias sociais Whatsapp e Facebook, onde acontece toda a mobilização.

O projeto continua em andamento. Desde o seu início, junho de 2020, até janeiro 2021, foram entregues 1.050 cestas básicas para 150 famílias e indivíduos.


→ Projeto-piloto para certificação de curso de Português como Língua de Acolhimento e de Cultura Brasileira (PLAc), para imigrantes e refugiados em situação de vulnerabilidade em parceria com o Espaço Bitita da Rede Emancipa.

O financiamento foi obtido mediante a metodologia de solidariedade ativa, com doações de amigos da rede Emancipa e seus professores. O orçamento subsidiou um plano básico de internet, de forma que os alunos pudessem fazer suas aulas durante a quarentena.

A calamidade gerada pela pandemia da Covid-19 significou a demissão de colaboradores das mais variadas áreas, empresas e organizações. Imigrantes e refugiados vulneráveis, não foram a exceção, sendo a língua um componente necessário para conseguir mais e melhores oportunidades, o ensino-aprendizado desta se faz fundamental. Por outro lado, o grupo mais jovem dessas populações anseia iniciar seus cursos superiores, para isto um nível de português intermediário ou avançado é indispensável.

Mas, saber ler não é suficiente, a competência deve ser comprovada, é necessário a certificação da pessoa em formação.

Nesse contexto, no segundo semestre de 2020, foi iniciado um projeto-piloto de curso de Português como Língua de Acolhimento e de Cultura Brasileira (PLAc), para imigrantes e refugiados, com a finalidade de integração social, ingresso à educação superior e integração trabalhista.

O curso foi ministrado por professores voluntários do cursinho Espaço Bitita, da Rede Emancipa, destinado às populações imigrantes e refugiadas. A mobilização de alunos aconteceu através das instituições participantes.

Nessa primeira turma participaram jovens pertencentes ao grupo indígena internacional de Otavalo e Salasaka, residentes em São Paulo e jovens de diferentes nacionalidades.

Esse primeiro semestre foi importante para avaliar a realização do curso totalmente online, sendo que variáveis como conectividade, modelo de dispositivo, foram analisados e se apresentam como grandes desafios. As primeiras evidências revelaram, por exemplo, que no caso das mães o sistema online as aproxima ao ensino-aprendizado, conseguindo compartilhar as tarefas do lar e o cuidado das crianças com a sua formação. Os resultados estão em análise, de forma a criar um projeto pedagógico adequado com as necessidades dos grupos beneficiários.

Este projeto pertence aos seguintes programas: Desigualdades, Direitos e Governanças