| Escrito por FLACSO-Brasil,
em 18/02/2009 08:51
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Publicado em : Notícias, Mural Flacso |
Com profunda tristeza recebemos a notícia do falecimento de nosso colega e amigo Gilberto Dupas
Gilberto Dupas morre de câncer aos 66 anos em SP
O engenheiro Gilberto Dupas, que se notabilizou por uma intensa atividade intelectual e por assessorar governos tucanos, morreu na madrugada de ontem em São Paulo, aos 66 anos, vítima de um câncer. Ele foi enterrado no cemitério Gethsêmani, no Morumbi.
Na gestão de Franco Montoro em São Paulo (1983-87), Dupas foi presidente da Nossa Caixa e secretário da Agricultura. No governo Fernando Henrique Cardoso (1995-02), integrou o Grupo de Análise e Pesquisa da Presidência. Também fez parte de conselhos do Ministério da Educação e Cultura, do Instituto de Estudos Avançados da USP, do Cebrap e da Fundação Getúlio Vargas.
Presente ao enterro, o ex-chanceler Celso Lafer disse que o último livro de Dupas ("O Incidente") é "uma metáfora sobre aquilo que lhe estava acontecendo. É sobre um acidente em que as pessoas ficam presas dentro de uma mina. É o incidente na vida dele: o livro procura, pela ficção, lidar com a doença que o acabou vitimando". Para Lafer, Dupas "teve uma participação importante no debate público. Sempre teve grande seriedade na investigação. Não era um improvisador".
Dupas presidia o Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais e coordenava o Grupo de Conjuntura Internacional da USP. Era coeditor da revista "Política Externa" e membro do corpo editorial das revistas "Sociedad y Politica" (México) e "Cahiers de la Sécurité" (França). Foi professor visitante da Universidade de Paris (França) e da Universidade Nacional de Córdoba (Argentina).
O economista José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário Política Econômica (gestão FHC) destacou sua "carreira brilhante" e disse que Dupas "era um intelectual puro, sem compromissos e sem partidarismos". Também presente, o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros afirmou que "ele teve uma carreira profissional de sucesso e sempre manteve a preocupação de estar adicionando".
Dupas formou-se em engenharia de produção pela Politécnica da USP, em 1966, e fez pós-graduação em administração de empresas (USP/Delft University), desenvolvimento econômico (USP/ Cepal) e economia matemática (Cepal/Ipea). No Brasil, lecionou na PUC-RS e no Instituto Mauá.
Publicou cerca de seis centenas de artigos. Escreveu 12 livros e organizou ou escreveu capítulos para outros 35. Dentre suas principais obras estão "Crise Econômica e Transição Democrática" (1987), "Economia Global e Exclusão Social" (2001), "Ética e Poder na Sociedade da Informação" (2001), "Tensões Contemporâneas entre o Público e o Privado" (2003), "Atores e Poderes na Nova Ordem Global" (2005) e "O Mito do Progresso" (2006).
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A MORTE DE GILBERTO DUPAS
Fabio Silvestre Cardoso
Talvez porque a mídia brasileira esteja preocupada demais com o curioso caso de Paula Oliveira. Ou, mais provável, talvez seja a proximidade do Carnaval e, por isso, a agenda do noticiário esteja batendo em retirada da cobertura mais analítica. Fato é que o intelectual Giberto Dupas morreu dia 17 de fevereiro e poucos parecem ter se dado conta disso. Mesmo os jornais, onde Dupas desempenhava um papel de interlocutor constante, dedicaram-lhe poucas linhas, o que não está à altura de sua contribuição no campo das ideias e da discussão dos problemas brasileiros e das contradições da globalização.
Em 2004, no longo ensaio Tensões contemporâneas entre o público e o privado, lembro-me de ter lido uma análise elementar no que se refere à lógica perversa das desigualdades em nosso tempo. Mesmo para quem comungava de certas ideias liberais e da mão invisível do mercado, aquele texto explicitava os impasses de uma sociedade que buscava o status da aparência, uma espécie de triunfo do ideário da sociedade do espetáculo, em detrimento dos direitos sociais e das conquistas da cidadania. Dupas era um pensador agudo e arguto desses temas, mas não se deixava levar pelo espetáculo midiático ― logo, não era o queridinho dos talk shows e dos programas de entrevista na infame TV aberta.
Além de Tensões Contemporâneas..., Gilberto Dupas foi autor de outros livros, entre os quais destacam-se O mito do progresso, lançado em 2006, Ética e poder na sociedade da informação, publicado em 2001. Embora tivesse como ênfase a análise da conjuntura econômica e mundial, o texto de Dupas primava pela clareza de ideias e pela sedução das palavras, elementos que atestavam uma prosa rica de imaginação. A propósito, ler os escritos de Gilberto Dupas neste momento é uma forma inteligente de sair do marasmo e do pessimismo gerados pela crise.
Revisado em : 09/06/2009 14:26
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