Onze são identificados como autores de falsas ameaças a escolas no DF

Para Miriam Abramovay, coordenadora de Estudos e Políticas sobre a Juventude da Flacso Brasil, assuntos como violência e convivência nas escolas devem ter a mesma importância como temas relacionados à qualidade de ensino. “Escola não é lugar de briga, mas elas existem. E é fundamental que haja uma discussão sobre isso.”

O secretário de Segurança do DF, Anderson Torres, anunciou, nesta quarta-feira (20/3), reforço de 180 militares no policiamento de escolas públicas após sucessivas ameaças de ataques postadas nas redes sociais. Ele reforçou que a situação está sob controle e que não há qualquer indício de que sejam verdadeiras as postagens.
Onze pessoas foram identificadas como fontes das falsas ameaças até o momento, a maioria adolescentes. Segundo o secretário, a depender das investigações, elas podem responder pelos crimes (ou atos infracionais) de ameça, formação de quadrilha e, no caso de adultos, corrupção de menores.
Policiais militares da reserva serão destacados para atuar nos perímetros de cerca de 40 escolas e reforçar o trabalho do Batalhão Escolar. As instituições de ensino que contarão com o reforço na segurança serão definidas em conjunto com a Secretaria de Educação, em reunião agendada para a noite desta quarta-feira.
As polícias Civil e Militar estão monitorando todos os casos, garante o chefe da pasta, e “não há nada que leve a preocupação”. O reforço no policiamento faz parte de medida preventiva adotada para Secretaria de Segurança. Professores e orientadores educacionais estão recebendo informações sobre o que fazer em situações de emergência.
Com relação aos estudantes, Torres destacou que caberá à Secretaria de Educação decidir que medidas adotar para orientá-los. Na esfera penal, aqueles que tiverem envolvimento nas postagens nas redes sociais serão encaminhados à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), quando menores, e a outras unidades policiais se forem maiores de idade.
A coronel Sheyla Sampaio, comandante-geral da Polícia Militar do DF, afirmou que a corporação trabalha preventivamente desde o ataque em Suzano (SP), há uma semana. Três ordens de serviço foram emitidas para reforçar as áreas escolares. Os policiais atuarão em duplas nas escolas definidas. “Todas as unidades da PM trabalharão como reforço de policiamento”, afirmou.
A medida deve durar até o fim do ano. Em maio, novos policias serão chamados e participarão de curso de formação para ingressar na corporação. Após o aumento de efetivo, as forças de segurança analisarão novamente que medidas adotar a partir de 2020.

 Políticas públicas

Para a doutora em Educação da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Miriam Abramovay, faltam políticas públicas que tratem assuntos como violência e convivência escolar. Ela afirma que é necessário realizar um diagnóstico nas escolas do DF para encontrar os problemas e apresentar medidas preventivas nesses casos.
“Escola não é lugar de briga, mas elas existem. E é fundamental que haja uma discussão sobre isso. Infelizmente as escolas ficam perdidas, inseguras. Os professores e a escola não sabem o que fazer. É preciso capacitação. Se aconteceu casos assim é preciso prestar mais atenção. Assuntos como violência e convivência nas escolas devem ter a mesma importância como temas relacionados à qualidade de ensino”, disse Abramovay.
Por meio de, a Secretaria de Educação informou que trabalha em parceria com o Batalhão Escolar com o objetivo de promover a segurança nas proximidades das instituições de ensino. O texto diz ainda que são promovidos cursos para os docentes com temáticas ligadas ao combate à violência, cultura da paz, mediação de conflitos, entre outros assuntos relacionados. A capacitação é realizada pelo Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação (Eape).
“A Secretaria de Educação também está desenvolvendo o projeto Escolas em Paz, macropolítica que chega acompanhada por um pacote de medidas de prevenção a violência. O projeto está em construção e será lançado em breve”, destacou o texto.