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Aspirantes: desafios de estudantes da USP egressos de escolas públicas no contexto do novo tensionamento político-social brasileiro

Esta pesquisa tem por objetivo refletir sobre o processo de constituição de nove jovens estudantes ingressantes em diferentes cursos da Universidade de São Paulo em 2014 egressos de escolas públicas e participantes do cursinho oferecido pelo Programa Preparatório para o Vestibular da USP, PPVUSP, em 2013. Para tanto, utilizou-se a perspectiva analítica da individuação, tal como proposto pelo sociólogo Danilo Martuccelli, para analisar o conjunto de fatores estruturais enfrentados pelos estudantes, em uma articulação entre processos sociais e experiências pessoais que configura o trabalho do indivíduo sobre si mesmo. Traça-se um perfil dos alunos do PPVUSP e daqueles que ingressaram na Universidade, em comparação ao universo dos demais aprovados no vestibular da FUVEST, a partir de dados socioeconômicos fornecidos por autodeclaração pelos candidatos àquela instituição. Tendo em vista a crítica às insuficiências das teorias chamadas disposicionalistas, empreende-se um procedimento indutivo a partir da análise das entrevistas compreensivas realizadas com nove estudantes daquele grupo ao final dos dois primeiros semestres letivos de seus respectivos cursos de graduação para construir as provas que constituem esta pesquisa: a familiar, a escolar, a da mobilidade urbana e aquela referente à sociabilidade. A discussão sobre esses desafios estruturais de nossa sociedade e o modo pelo qual jovens estudantes recém ingressos na USP os vivenciam e como respondem peculiarmente a eles permite compor um cenário da individuação deste grupo social, assim como problematizar as configurações, mutações e ações da estrutura sociohistórica na fabricação de indivíduos como eles.

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Projeto Bolsa Universidade (2003-2014): subsídio estadual ao ensino superior privado em São Paulo

A dissertação analisa o Projeto Bolsa Universidade (PBU), considerando a parceria das instituições de ensino superior privadas com o Programa Escola da Família (PEF) e suas relações com a expansão e privatização no ensino superior paulista. De natureza qualitativa, a pesquisa compreendeu o levantamento e a análise de documentos na Secretaria de Estado da Educação e entrevistas com seus gestores de modo a apurar o histórico, descrever e analisar a implementação do Projeto Bolsa Universidade no período de 2003 a 2014. A evolução do PEF e PBU nesses onze anos aponta para uma acentuada redução de número de escolas atendidas e de Instituições de Ensino Superior envolvidas, enquanto o número de bolsistas diminui em proporção muito menor. A investigação constatou a falta de publicidade e transparência de dados básicos e enfrentou dificuldade de acesso às informações sobre o financiamento e custo do PBU. A pesquisa conclui que ao longo de sua trajetória, essa política pública sofreu mudanças que deslocaram seu foco do ensino básico para a concessão de bolsas de estudo e o subsídio ao ensino superior privado.

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Circulação e apropriação de ideias em educação matemática – aproximações

A proposta de trabalho aqui apresentada tem a intenção de compreender aspectos do movimento de circulação e apropriação de um ideário/movimento educacional que evidencie, de algum modo, mobilizações em termos acadêmicos com expressiva intencionalidade e repercussão. Na impossibilidade de realizar este estudo num plano genérico, optamos por ter a Didática da Matemática Francesa como exemplo desse ideário. A investigação da inserção, da circulação e da acomodação das propostas desse movimento no cenário brasileiro dá indicativos de aspectos relevantes que caracterizam a dinâmica de apropriação e circulação de ideias. Seguindo uma perspectiva qualitativa de pesquisa, com base na proposta metodológica da História Oral, recorremos a entrevistas com educadores matemáticos brasileiros alocados em núcleos institucionais de ensino superior que protagoniza(ra)m a mediação entre a Didática da Matemática Francesa e a educação matemática brasileira. A História da Educação Matemática no Brasil revela que o ensino da matemática se apresenta influenciado por pesquisas e métodos desenvolvidos e aperfeiçoados por estudiosos de outros países. Neste sentido, pretendemos contribuir para uma reflexão no âmbito da história da educação matemática brasileira, mobilizando teorizações de natureza sociológica.

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PUC-SP diploma estudantes mortos durante a ditadura militar

A PUC-SP promoveu na noite de segunda-feira (18) um ato para diplomação simbólica de cinco estudantes da universidade que foram assassinados pelo regime militar durante a ditatura (1964-1979). Os estudantes Carlos Eduardo Pires Fleury (1945-1971), Cilon Cunha Brum (1946-1974), José Wilson Lessa Sabbag (1943-1969), Luiz Almeida Araújo (1943-1971) e Maria Augusta Thomaz (1947-1973) foram os […]

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4% dos cursos de mestrado e doutorado obtêm nota máxima e outros 3% podem ser descredenciados pela Capes

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou, nesta semana, a avaliação quadrienal de 4.175 cursos de mestrado acadêmico, mestrado profissional e doutorado no Brasil. As notas variam de 1 a 7 e são usadas como referência para que as agências de fomento nacionais e internacionais possam distribuir bolsas de estudo, por […]

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Avaliação da aprendizagem em curso a distância

Esta tese estuda as concepções de avaliação da aprendizagem em cursos a distância, pois tendo em vista a crescente oferta de cursos nesta modalidade de ensino, a partir do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, acreditamos ser o tema relevante para que cursos a distância possam, de fato, contribuir, para que superemos, enquanto nação, a desigualdade de acesso à educação. Consideramos como aporte teórico os princípios da avaliação formativa, uma vez que um de seus principais objetivos é oferecer informações para que professor e aluno possam repensar e fazer os ajustes necessários nos processos de ensino e aprendizagem. O estudo feito sobre a História da Educação a Distância e os meios de comunicação utilizados nesta modalidade de ensino objetivou compreender o status que ocupa nos dias de hoje, para então entender as prováveis concepções que norteiam a legislação vigente sobre o tema. Também analisamos três documentos de instituições de ensino superior que oferecem cursos a distância, buscando identificar a concepção de avaliação da aprendizagem. Como contribuição, podemos destacar dois pontos: a análise de instrumentos de avaliação da aprendizagem que podem ser utilizados em cursos a distância e um conjunto de princípios que podem gerar inúmeras práticas pedagógicas que favoreçam a construção do conhecimento e a aprendizagem. As críticas apontadas à legislação vigente objetivam criar espaços para debates produtivos que possam contribuir para a elaboração de um projeto nacional de educação.

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Educação bilíngue de surdos: desafios para a formação de professores

Este trabalho procurou discutir a formação inicial de professores, nos cursos de licenciatura em Pedagogia e Letras em Instituições de Ensino Superior (IES), considerando que esses profissionais deverão atender aos alunos surdos no contexto da educação bilíngue, onde a língua portuguesa-por-escrito (GRANNIER, 2007), precisaria ocupar o espaço de L2. Esses cursos estão no rol dos que devem oferecer a disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) em sua grade curricular, por força do Decreto n.º 5.626, de 22 de dezembro de 2005 (que regulamenta a Lei 10.436/2002, de 24 de abril de 2002. Essa legislação assenta que a educação de surdos deve ser bilíngue, o que exige profissionais com formação para esse contexto educacional, dentre os quais, necessariamente, o professor de português-por-escrito como segunda língua. A literatura do campo da surdez é rica em produções que versam sobre a educação de surdos e a língua de sinais. Contudo, foram localizados poucos trabalhos sobre a formação de professores para esse contexto de educação, sobretudo, focalizando o tratamento de português-por-escrito como segunda língua, recorte que problematizamos neste trabalho. Assim, procuramos responder à seguinte questão central: quais os principais desafios na formação inicial de professores para a educação básica, onde deverão atender alunos surdos em contexto de educação bilíngue, cenário em que o português deve transitar como segunda língua? Para responder à questão que propusemos, optamos por uma pesquisa do tipo bibliográfica (LUDKE; ANDRÉ, 1986), com o uso de fontes tanto do campo da surdez e da Libras, em que foram selecionados autores que se dedicam a estudos sobre surdos a partir de uma abordagem sócio-antropológica, e também da legislação pertinente sobre a educação de surdos e a educação especial. Também fizemos aproximações com autores do campo da Linguística Aplicada, que, nas línguas orais, discutem bilinguismo, educação bilíngue, português como segunda língua e, principalmente, formação de professores para o contexto de educação bilíngue. Assim, os resultados deste trabalho apontaram quatro desafios na formação inicial dos professores que atuarão na educação bilíngue de alunos surdos: 1.A formulação de diretrizes para a formação inicial com vistas a dotar o futuro professor de conhecimentos essenciais à sua boa prática docente com esse grupo de alunos. 2. Investir na construção de ações que visem a trabalhar as eventuais crenças que o professor pode ter sobre a (in)capacidade de aprendizagem desse aluno. 3. Pensar sobre instrumentos dos quais o professor pode lançar mão para desenvolver uma metodologia e materiais que venham a ser eficientes no ensino de português-por-escrito para o aluno surdo. 4. Trabalhar com esse futuro professor conhecimentos linguísticos suficientes, que possibilitem a sua reflexão sobre o estatuto da Libras. Concluímos que, além da inserção da disciplina Libras, não foram localizadas produções que informem sobre ações abrangentes que, eventualmente, as IES estejam promovendo, para formar professores que atenderão aos alunos surdos na educação bilíngue. E, embora a legislação tenha previsto a criação de tais cursos, também não foram localizadas informações de ações do MEC para que as IES cumpram essa previsão legal.

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A introdução da definição de raça nas propostas curriculares brasileiras: a lente da nova lei e os olhos dos alunos

Esta dissertação tem como objetivo analisar a recepção das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro- Brasileira e Africana, divulgadas após a lei 10639/2003, em uma escola de ensino básico no ABC paulista, e seu impacto nas aulas de História, uma das três disciplinas incumbidas de implementar o conteúdo proposto pelas Diretrizes. Ela faz uma análise crítica da introdução de conceitos multiculturais adaptados do racialismo normativo anglo-saxão, que estimulam a noção de pertencimento a comunidades étnicas ou grupais particulares dentro do corpo social. Tal análise crítica parte da constatação de que este movimento entra em choque com a concepção universalista que norteou o ensino público brasileiro no século XX, e desconsidera conceitos e formas de pensamento dos alunos que, embora trabalhados na escola, são anteriores a ela. A introdução de novos conceitos e práticas, como proposto pelas Diretrizes, é alvo de uma reflexão que situa suas origens e investiga seus desdobramentos nas salas de aula. O campo da atual pesquisa é uma escola pública em Santo André na qual, através de questionários, procurou-se traçar um perfil dos alunos da última série do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, investigar suas expectativas de vida escolar e profissional e como relacionam mudanças e permanências no trânsito entre a escola, a família e a sociedade mais abrangente. A região do ABC foi a primeira grande concentração industrial de produtos de consumo do país, e os alunos da escola pública são filhos e netos de trabalhadores urbanos e industriais. Para eles a principal preocupação é o ingresso no Ensino Superior, bem como a sua inserção no mercado de trabalho. Eles relacionam a continuidade dos estudos com a ascensão social, e para eles a escola permanece um local de exercício da igualdade, uma base comum de onde se pode planejar e almejar o passo seguinte que os levará ao sucesso profissional. Aproximadamente metade dos alunos relatou que já foi vítima de algum tipo de preconceito, porém apenas uma pequena parte por cor ou raça. A grande maioria dos alunos desconfia dos discursos de diferenciação e, simultaneamente, mostra uma categórica rejeição às mais diferentes formas de preconceito; muitos enxergam a classificação racial como mais uma delas. Conclui-se que a percepção de preconceitos existe, e que eles se manifestam tanto dentro como fora da escola, porém esta continua a ser vista como a base comum na qual os mais pobres apóiam sua possibilidade de ascensão social. Os alunos reproduzem na escola as expectativas familiares e sua história e, naquele lugar específico, não são diferentes. Eles são indivíduos singulares, mas, como alunos da escola pública, continuam a manter o princípio básico de igualdade, apesar das tentativas de diferenciá-los no seu interior. Para o multiculturalismo normativo, a igualdade é o resultado da soma das diferenças. Esta pesquisa verificou que, para os alunos, a escola pública ainda é um lugar para o exercício da igualdade, e não um laboratório que sintetize tal soma por determinação legal.

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