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Fachada do IGC (Instituto de Geociência) da UFMG

Fachada do IGC (Instituto de Geociência) da UFMG

As ocupações de prédios na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) têm “aulão” sobre os temas que originaram o movimento –os universitários são contra a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 241, que limita os gastos do Governo Federal por 20 anos, além da proposta de reforma do ensino médio por meio da Medida Provisória 746.

No campus da Pampulha, em Belo Horizonte, há quatro prédios ocupados pelos ativistas e, neles, as aulas da grade curricular não estão acontecendo. A primeira ocupação se deu há mais de uma semana.

A Escola de Arquitetura da UFMG, situada no bairro Funcionários, região centro-sul, está na mesma condição, segundo a assessoria da instituição.

De acordo com os estudantes ouvidos pelo UOL, professores da própria instituição e especialistas convidados ministram, de maneira voluntária, as palestras nesses locais.

O denominado “aulão”, conforme o relato dos universitários, é uma estratégia para explicar aos interessados as minúcias dos temas em questão –e tentar convencer outros estudantes, professores e funcionários sobre a importância de seu movimento.

“Não estamos aqui no ócio, estamos aqui para produzir debates para que todos entendam o que significa a PEC, na íntegra, para que tenhamos mais argumentos”, diz Guilherme Marques, 24, aluno de geografia.

Marques contou que a intenção dos universitários é ficar lá até que a PEC 241 e a reforma do ensino médio sejam retiradas da pauta do Congresso Nacional –a PEC está no Senado para aprovação e a MP do ensino médio já está em vigor.

Ele conversou com a reportagem na frente do IGC (Instituto de Geociências) que, segundo ele, está ocupado desde a última segunda-feira (24).

Rotina

O UOL esteve nesta quarta-feira (26), nos locais ocupados, mas a maioria dos ativistas se negou a dar o nome e somente se dispôs a falar na condição de anonimato. Eles se apresentaram como integrantes de comissões de comunicação dos ativistas.

Os estudantes têm disciplina no tocante à administração dos prédios. As pessoas precisam se identificar quando querem entrar nos locais. Segundo os alunos, não há restrição de acesso. Porém, o UOL não obteve autorização para entrar nas edificações, nem fotografar o interior dos recintos.

Segundo os responsáveis pelos locais, as decisões são tomadas em conjunto e foram instituídas nas unidades as chamadas comissões, que lidam com temas pertinentes às ocupações, como alimentação, segurança e limpeza. Os ativistas se revezam para que a ocupação seja feita em tempo integral.

Eles alegam que o movimento não tem ligação com partidos políticos. Após permitirem que apenas fotos das fachadas dos prédios fossem feitas, os alunos ainda pediram para verificar se as imagens não continham o rosto de nenhuma das pessoas envolvidas. Os alimentos, segundo os organizadores, são doados por professores, funcionários e pessoas da comunidade.

Em nota, a UFMG informou reconhecer “o direito de manifestação dos estudantes e a legitimidade do movimento contrário à PEC 241, discordando, entretanto, de atitudes que venham cercear as liberdades individuais e o acesso aos espaços da Universidade”.

Conforme a UFMG, a nota foi divulgada após “grupos de estudantes impedirem o acesso às dependências de algumas unidades e espaços da UFMG”.

“Impedir o acesso ao local de trabalho e estudo de professores, técnico-administrativos em educação e estudantes que não participam do movimento afronta o direito irrevogável de ir e vir das pessoas, prejudica aqueles que mais precisam da instituição, além de inviabilizar o atendimento da comunidade da UFMG e da sociedade”, afirmou a universidade no texto da nota.

Por sua vez, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais informou que, até o momento, 95 escolas estaduais estão ocupadas.