Universidade dá prazo para alunos aceitarem acordo: 12h de quinta-feira (30).
Alunos marcaram reunião para avaliar propostas e decidir rumo do movimento.


 

Alunos farão reunião para decidir se aceitam propostas da reitoria e encerram movimento (Foto: Vc no G1 )

A Reitoria da Unicamp entregou na manhã desta terça-feira (28) um documento com uma resposta definitiva às reivindicações dos estudantes e deu a eles um prazo final para a formalização de um acordo. No texto, a universidade aceita a maioria das reivindicações dos alunos, incluindo a discussão da implantação de cotas raciais, mas não cede em relação ao corte de verbas e dá o caso por encerrado.

Os alunos têm até o meio dia de quinta-feira (30) para decidir se aceitam as propostas. Esta é a “última e definitiva” proposta de acordo. Desde o dia 11 de maio a universidade possui ummandado de reintegração de posse da reitoria.

Na avaliação da universidade, o documento responde às questões entregues pelos estudantes ao reitor José Tadeu Jorge,de maneira informal, na sede da Associação dos Docentes da Unicamp (ADUNICAMP) na última sexta-feira (24).

Cotas
Para debater a implantação de cotas raciais, a universidade se compromete a realizar três audiências públicas e a criar um grupo de trabalho para debater o tema com movimentos sociais, docentes, funcionários, alunos e especialistas.

A reitoria acatou o pedido dos alunos para a criação de uma estrutura direcionada aos estudantes para tratar de assuntos como assédio moral, racismo, homofobia, machismo e demais opressões voltado aos professores e funcionários.

Em suas reivindicações, os alunos pediam ainda que o reitor assinasse um documento reconhecendo a necessidade imediata de reavaliar as políticas afirmativas vigentes, mas o reitor negou. Segundo a nota, o tema será discutido após a realização das audiências públicas no âmbito do Conselho Universitário.

Cortes no orçamento
Já com relação ao corte no orçamento, a universidade deixa claro que não há mais diálogo. Segundo a Unicamp, as medidas de contenção são necessárias frente as dificuldades apresentadas atualmente pela economia. Segundo balanço apresentado pela Assessoria de Economia e Planejamento da Unicamp (Aeplan), ao final da execução orçamentária de 2015, foi registrado um déficit de R$ 99,682 milhões.

Após receberem o documento, os alunos marcaram uma nova reunião, às 18h, para avaliar as propostas e decidir sobre a manutenção da ocupação da reitoria.

Moradia
Outro ponto de desencontro entre as propostas é referente à ampliação das vagas de moradia estudantil voltadas para estudantes de graduação e pós-graduação. Os alunos pediram a criação de 1500 novas vagas, mas a Unicamp se compromete a ampliar este número em 600. Hoje, a universidade conta com 832 vagas gratuitas na moradia estudantil.

O pedido de aumento em 50% na ampliação das bolsas-auxílio também foi negado. No documento, a reitoria se compromete aumentar as bolsas em 10%. As bolsas-auxílio são destinadas aos estudantes de graduação e pós-graduação  que apresentem e comprovem dificuldades financeiras. O auxílio visa evitar a evasão, especialmente daqueles que precisam de um suporte financeiro e que possuem horários limitados para trabalhar.

Professor Popov tenta dar aula (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Ocupação da reitoria
Se aceitarem as novas propostas e desocuparem a reitoria, os alunos grevistas colocarão fim a uma série de situações que têm causado desconforto e impasse entre alunos e professores que não aderiram ao movimento.

Desde que começou a ocupação na Unicamp, no 10 de maio, os ânimos ficaram acirrados e os protestos pelo campuas aumentaram. Um dos casos que ganhou repercussão nas redes sociais  foi o do estudante Guilherme Montenegro, que apagou o quadro durante uma aula do professor Serguei Popov no Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica.

Os alunos fizeram ainda diversos bloqueios nas entradas 1 e 2 do campus de Campinas como forma de protesto.