Sindicato convocou paralisação geral na universidade.
Caminhão e ônibus não permitem que carro de som entre na instituição.

Caminhão-pipa impede passagem de carro de som na USP (Foto: Luiza Tenente/ G1)

Caminhão-pipa impede passagem de carro de som na USP (Foto: Luiza Tenente/ G1)

 

O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (USP), com apoio dos estudantes, convocou nesta quinta-feira (31) uma paralisação geral na universidade. A concentração estava marcada às 10h30, em frente à reitoria. No entanto, um caminhão-pipa e um antigo ônibus circular dificultaram o acesso dos manifestantes ao local e travaram o acesso do carro de som no começo do ato.

Por volta de 11h30, cerca de 20 pessoas arrastaram um carro que fazia o bloqueio da via ao lado do caminhão, passaram com o carro de som e seguiram rumo à reitoria.

Na pauta aprovada pelo sindicato, as reivindicações principais são cotas sociais, iniciativas de permanência estudantil, bolsas de estudo e condições melhores para os trabalhadores e alunos.
“Não é só isso, mas queremos ajuste salarial de acordo com a inflação pelo Dieese, mais 3%”, afirma Magno de Carvalho, presidente do Sintusp. “Vai ser muito ruim se derem algum aumento qualquer para enfraquecer o movimento.”

O Sintusp se mostra contra o desmonte da USP, representado pelo fechamento das creches para filhos de funcionários e estudantes, a terceirização dos bandeijões, a criminalização e repressão, a “destruição da carreira dos docentes” e a proibição de festas nos campus da USP.

De acordo com estudantes, a proposta do reitor, Marco Antônio Zago, é tornar a USP mais parecida com o modelo das universidades dos Estados Unidos e de Bolonha, na Itália – com interferência da iniciativa privada na produção de conhecimento, administração e financiamento.

Greve
Magno de Carvalho diz que o ato desta quinta vai servir como termômetro para saber se uma possível greve terá força e aceitação. De acordo com ele, tentativas de paralisação anteriores tiveram baixa adesão, em alguns casos.

“Já perdemos 1.800 funcionários em todo o estado e sabemos que haverá novos cortes. É um desmonte como nunca vimos, estamos lutando contra isso. Não há outra saída a não ser organizar a maior greve da história dessa universidade”, afirma Magno. Ele explica que quando fala “maior” greve, não se refere à duração (em 2014 houve uma greve de quatro meses), e sim, em número de pessoas.

Marcela Carbone, de 24 anos, representante do coletivo “Para além dos muros” e membro do DCE, diz que “é um cenário de esperança porque estamos vendo uma luta no Brasil”. Ela cita a relação da paralisação da USP com outros movimentos sociais, como a manifestação na fábrica da Mabi e os protestos dos alunos secundaristas contra a reorganização escolar em São Paulo.

“Nosso esforço de hoje é pedir diálogo com a reitoria e entregar nossa pauta de reivindicações. Mas eles nos respondem com bloqueio. Imagino que a greve vai acabar sendo a solução”, diz.