Dados do IBGE mostram que o número de trabalhadoras domésticas que estão na faculdade cresceu 10% nos últimos três anos. O salário delas também subiu 8% em 12 meses. Entretanto, o percentual de trabalhadoras que começaram a trabalhar com carteira assinada caiu de 6,5% para 5,9%.

“A redução das trabalhadoras nesse setor está ligada a migração para outras áreas. Elas estão se qualificando e esse processo faz com que algumas migrem para alguns setores como serviços, por exemplo, que tem crescimento em contrapartida da redução dos serviços domésticos”, explica Jefferson Mariano, analista socioeconômico do IBGE.

Uma pesquisa feita pela USP mostra que os salários mais altos e a maior escolaridade estão permitindo que as trabalhadoras domésticas tenham acesso a bens, produtos e serviços que antes nunca tiveram.

Durante três anos, a antropóloga Renata Mourão acompanhou hábitos das domésticas. O acesso dessas trabalhadoras a computadores, redes sociais, internet, TV, cinema, levou a várias transformações dentro das residências. “Sou empregada, mas frequento os mesmos lugares que você. Eu também posso ir ao cinema, fazer uma viagem de turismo, ter uma blusa de marca, isso incide positivamente nas relações”, explica a antropóloga.